“Tu agarra-me”

Tu-agarra-me

Deviam ver como ele se tornou um canídeo feroz quando sentiu os técnicos de manutenção do elevador do outro lado da porta. Como ficou tenso, o pelo eriçado junto ao pescoço, orelhas inclinadas para trás, emitindo rosnadelas ameaçadoras que depressa se transformaram em graves e tenebrosos latidos, capazes de me ferir os tímpanos e amedrontar qualquer meliante que se aproximasse de nós. A sério! Fiquei espantada. Só que isto tudo ocorreu com ele sentado em cima de mim e do portátil e da caneca do café… Sim! Como aqueles tipos briguentos que dão cabo do canastro a toda a gente mas que antes de partirem para o ataque encostam-se a alguém, certificando-se que os detêm antes de se descobrir que aquilo é tudo conversa fiada. “Tu agarra-me antes que eu fure a porta e lhes morda os fundilhos até ao osso que se eu os apanho nunca mais arranjam um elevador na vida deles! Mas antes afaga-me o pescoço que estou com tiques nervosos nas mandíbulas.”

Tu-agarra-me

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