Tripod

tripods

00.30
Estou no meu quarto, no andar de cima, a ler umas coisas e a escrevinhar outras (para variar).
Os miúdos dormem tranquilamente nos seus quartos.
A televisão está desligada e não se ouve qualquer barulho. Até que sinto um estrépito cavernoso, cadenciado. Uma trepidação indecifrável, que me provoca um arrepio. Um som grave que parece ecoar pelas paredes acima. Será que deixei algum aquecedor ligado lá em baixo e o sacana pifou e está prestes a explodir? Ou será o frigorifico com os soluços da meia noite? Talvez seja o elevador que está por um fio e este som sejam os cabos a ranger, quase, quase a rebentarem. Na verdade, sei o que o estranho som me faz lembrar. Os desengonçados e ameaçadores tripods da “A Guerra dos Mundos”, quando soavam os seus trompetes alienígenas. É isso. Eles estão aí! É o fim! Vamos ser todos pulverizados!
Intrigada, levanto-me e abro a porta do quarto. No corredor, o som mais presente do que nunca. É então que percebo, horrorizada, do que se trata.
Já fui lá acordá-lo, mas virou-se para o lado e retomou a roncadeira, com as patas viradas para cima, qual lorde do mundo canino.
Estou cheia de medo que os vizinhos venham reclamar quando perceberem que o ameaçador tripod é o meu cão. Pior! Que pensem que somos nós!

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