Viver como se fosse o último mergulho

20 de junho2017

Passei a manhã com eles na praia. Brinquei com eles dentro de água e contei-lhes a história dos Sete Cabritinhos quando se sentaram em cima das minhas pernas, à beira-mar. Corri atrás de um chapéu de sol em fuga, espetei o pé numa pedra e ainda assim eles chamaram-me “Mãe Sonic”. Arranquei-lhes gargalhadas à frente do espelho, quando lhes pus o cabelo em pé com a espuma do champô, ao … Ler mais

Irmãos

Irmãos

Muito conversam. Muito planeiam. Muito conspiram. Muito se riem, numa cumplicidade fraterna única que me comove e realiza.
E eu, na minha subtil vigilância de mãe leoa que fica atrás a vê-los explorar caminho, sei com toda a certeza que a melhor coisa que lhes dei foi o privilégio de se terem um ao outro e crescerem juntos. E não há nada que possa desejar mais que vê-los assim, lado … Ler mais

Audrey Pota

Audrey-pota

Estava distraída a ver um vídeo no computador quando ela se aproximou e começou a vê-lo comigo, encantada.
– Quem é essa senhora, mãe?
– É a Audrey Hepburn. É bonita, não é?
– Sim.
– Já morreu. Mas era uma atriz de Hollywood, muito famosa.
– Pois, já percebi. Ela era assim, como a Popota, não é?

(Grito silencioso a ecoar em cérebro materno subitamente afectado com tal … Ler mais

Esta não é uma página de pedagogia

esta-nao-e-uma-pagina-de-pedagogia

1º- Não faz mal comer coisas às escondidas, principalmente se estivermos a falar de prazeres gastronómicos que os nossos filhos nem sequer sabem apreciar. Sim! Para quê dar-lhes um Ferrero Raffaello, com tanta barrinha Kinder lá em casa?
2º- Não faz mal cedermos o nosso lanche ou sobremesa, desde que isso não seja a regra nem um acto de capricho deles.
3º- Ontem ainda lhe dei na cabeça por ele … Ler mais

Não há uma para mim?

não-há-uma-para-mim

– Salvador, vou fazer tostas para mim e para a mana. Também queres?
– Não, obrigada. Só quero torrada.
– Tens a certeza?
– Sim. Só quero uma torrada. Ou melhor… quero duas. Uma por cima da outra.
– Isso é quase uma tosta… Porque não queres uma, como nós?
– Porque quero torradas e não tostas, mãe!
– Pronto, ok… – e coloco duas fatias de pão na torradeira.… Ler mais

A rapariga do cabelo vermelho

A-rapariga-do-cabelo-vermelho

A rapariga fumava um cigarro encostada à parede do supermercado, frente ao parque de estacionamento, com um cabelo vermelho vivo que não passava despercebido a ninguém. Assim que a viu, a Maria apertou-me a mão e começou a sussurrar, com grande entusiasmo. Já perdi a conta às vezes que lhe disse que não deve segredar-me coisas à frente de outras pessoas. Peço-lhe que guarde na memória o que me quer … Ler mais

Quantos dias faltam?

quantos-dias-faltam

Conversas quando vamos as duas a pé, buscar o irmão à escola.
– Quantos dias faltam para o Natal, mãe?
– Faltam muitos, ainda.
– Quantos?
– As tuas mãos, cinco vezes.
Ela olha para as mãos, e abre e fecha-as cinco vezes.
– Hum… Isso é muito. – conclui, desanimada.
– Pois é. Mas vai passar num instante, vais ver.
Ela fica calada, com ar de quem processa a … Ler mais

Apesar de me lembrar até hoje…

apesar-de-me-lembrar-até-hoje

Eles exclamaram de alegria por terem encontrado um cogumelo no prato e nós franzimos o sobrolho de dúvida e depois arqueámo-lo num momento de clarividência, e então permanecemos quietos e calados, num suspense de cortar o fôlego, porque sabemos que não pusemos cogumelos na comida mas alimentamos a esperança que finalmente aprendam a gostar de beringela “fingida”. Que, claro, pode também ser chamada de “cogumelo”, se preferirem!
Os meus pais … Ler mais

Cá em casa molham o pão no molho

nos-molhamos-o-pao-no-molho

Coisas que eu leio em blogs de maternidade e me intrigam profundamente: Bater à mãe é normal e não tem qualquer problema. Grave é consumirem margarinas vegetais lá em casa. Ou gordura animal. Ou qualquer tipo de manteiguita no pão. Ou até comerem pão!
De resto, segundo percebi, não faz mal as crianças arriarem sistematicamente nas mães. A progenitora de Dom Afonso Henriques que o diga.
Cá em casa ninguém … Ler mais

Encostem-se à parede

encostem-se à parede

Imaginem um supermercado ao fim do dia, cheio de gente cansada, impaciente, ansiosa por chegar a casa. Na fila da caixa há uma família, vários produtos sobre o tapete e duas crianças que aproveitam para brincar com tudo enquanto ajudam a tirar as compras do cesto: um pacote de bolachas é uma espada, as maçãs dentro do saco da frutaria são pepitas de ouro, o pão de Mafra ainda quente … Ler mais