E de repente, já é Setembro!

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1 de Setembro

Acordei-os com um beijo doce, deixei o sol espantar a escuridão nos quartos e entoei um entusiástico “Bom dia! Toca a levantar que hoje é dia de escola!”
Disse-lhes o quanto ia ser bom reverem os amigos, partilharem o que fizeram nas férias, perceber o quanto cresceram todos mais um bocadinho. Disse-lhes que ia aguardar ansiosamente pela hora de os voltar a abraçar e que depois podíamos fazer uma sobremesa para o jantar e ver uma história mais comprida antes de dormir.
Com a casa em silêncio, posso finalmente voltar a lembrar-me de mim, voltar à escrita, aos capítulos pendentes e nunca mais terminados, respirar a paz e sentir o sossego, ouvir a minha música e o teclado, tirar férias do Panda e do Disney Channel e até passear o cão com mais tempo. Não há gritaria, nem queixinhas, nem disputas quanto ao monopólio do comando ou brigas por lápis de cor e o último pedaço mole de plasticina. Os Caricas não ecoam pela casa, nem há pedidos incessantes como “posso ver os dinossauros no teu computador?”, “Posso comer smarties antes do almoço?”, “Podes construir-nos uma tenda para brincarmos aos exploradores?”, “Podemos fazer um bolo?”. O tapete da sala está imaculado e vazio de bonecada. O sofá não tem migalhas. Ninguém deixou os chinelos espalhados no corredor. Posso andar descalça que não corro o risco de escorregar num carrinho da HotWheels nem pisar uma peça de Lego esquecida algures – e todas nós sabemos que essas são as mais terríficas! Nestas horas que são só minhas, sou dona de mim mesma e do meu tempo. Mas caramba… Setembro chegou demasiado depressa! Já estou a morrer de saudades deles e mal posso esperar por toda a confusão que vão trazer ao fim do dia, inundando a casa de bagunça deliciosa sem a qual já não sei viver.

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