Prometes?

prometes

– Oh mãe, eu não quero crescer. – pede-me ela num timbre anasalado de constipação que lhe confere uma vozinha particularmente fofa.
– Mas tens de crescer. Toda a gente cresce. Devagarinho e quase sem dar por isso… E quando estiveres crescida, vais adorar e fazer muitas coisas que não podes fazer agora.
– Mas eu não quero! – insiste, encostando a cabeça no meu ombro, como se isso a ajudasse a escapar ao fatal destino – Não quero fazer nada do que os crescidos fazem. Não quero ter namorados, nem trabalho, nem bebés…
– Não queres?!
– Não! Quero ser sempre a tua pequenina. E que tu sejas sempre a minha grande. Está bem?
– Está bem. Mesmo quando fores crescida e não ouvires nada do que eu te disser, e não ligares nenhuma aos meus conselhos, e jurares a pés juntos que esta conversa nunca aconteceu, e conseguires sozinha coisas extraordinárias que te façam muito feliz, vais ser sempre a minha pequenina. E eu, a tua “grande”.
– Prometes?
– Prometo.

prometes

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