Uma peruca na boca

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No fim-de-semana, a bisavó deu-lhes uma eficaz lição sobre a necessidade de lavar sempre os dentes. Para ser sincera, não sei o que lhe passou pela cabeça quando o fez, mas deduzo que seja a irreverência e rebeldia próprias da idade. O que é certo, é que se aproximou deles e disse-lhes:
– Os dentes são para lavar sempre. Senão… Olhem! Acontece-vos isto! – E sem mais nem menos ou aviso prévio aos espíritos mais sensíveis, saca da placa, a qual exibe despudoradamente às crianças!
Posso dizer-vos que o que se passou a seguir foi digno de um filme de terror. Não para nós, mas para a minha filha, que parecia ter acabado de se cruzar com o Freddy Krueger – ou no imaginário dela, com a bruxa do mar da Ariel. Estremeceu com genuíno pavor, levou as mãos aos olhos e desatou a correr para longe, enquanto gritava “Socooooorro!”
Ainda agora não lhe podemos falar no sucedido, que ela fica profundamente abalada. O que nos tem divertido bastante, devo confessar. É só dizermos: “E quando a bibó tirou os dentes?” e é um tal de vê-la a tremer toda e a tapar os ouvidos e a cara, como que a tentar fugir à recordação e às nossas provocações.
Ontem à noite, lá desabafou comigo e tentou exorcizar os fantasmas:
– Sabes mãe… Eu nunca na minha vida, mas nunca, nunca mesmo, pensei que a bibó tivesse uma peruca na boca!

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