Para ti

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Isto é para ti:

Para ti, que choraste de felicidade ao veres os dois risquinhos vermelhos naquele teste de farmácia que guardas religiosamente, até hoje.
É para ti, que tremeste de medo, dúvida e insegurança, mas superaste-os a todos à medida que te apaixonavas pela tua barriga em crescimento e por aquele outro batimento cardíaco dentro ti.
E é para ti, que foste em frente sozinha e te tornaste mãe e pai, princesa e super-herói, força e resiliência, pela tua cria.
É para ti, que acolheste na tua vida e no teu coração os filhos que não nasceram de ti mas que serão para sempre e visceralmente teus e parte do teu ser.
É para ti, que não dormes de noite há meses porque o teu bebé acorda várias vezes para comer e olhar para ti enquanto palra alegremente à madrugada; e para ti, que não dormes há anos porque ele sai todas as noites e apesar de maior de idade só descansas quando o sentes pôr as chaves à porta.
É para ti, que lhe fazias bifes com batatas fritas por ser a única coisa que ela comia bem quando era pequenina e agora aprendeste receitas com tofu e arroz integral porque deu-lhe para ser vegetariana.
É para ti, que aprendeste a amar incondicionalmente, que descobriste que tinhas super-poderes no momento em que o ouviste chorar pela primeira vez e que irias até ao fim do mundo, por ele.
É para ti que fazes tudo para os ver felizes mas que sabes que dizer “não” também é amar, e que aprender a ouvi-lo torna-los-à adultos mais capazes e melhores.
É para ti, que percebes que a tua cria não está bem só pela forma como ela te atende o telefone e facilmente lhe detectas um sorriso falso, que esboça apenas para não te deixar preocupada.
É para ti, que sofres com cada tombo deles, com cada cólica, com cada vacina, com cada galo, com cada choro de roubar o fôlego, e por muito crescidos que estejam continuarás a sofrer com cada desgosto, com cada frustração, com cada dor profunda que eles sintam e tu não possas curar com o teu amor. Para ti, que os consolas e renovas as esperanças enquanto fazes chá de limão e torradas estaladiças impregnadas de manteiga para o lanche mesmo quando eles já votam e descontam para a segurança social – até porque colo de mãe é um direito vitalício a requisitar em qualquer idade.
É para ti, que continuas a mandar-lhe sopinha num tupperware, a engomar-lhe as camisas e a dares-lhe na cabeça porque deixa o IRS sempre para os últimos dias.
É para ti, que soubeste respeitar os seus silêncios e que lhe aturaste a tagarelice juvenil e as confidências que nem sempre gostaste ou quiseste ouvir.
Para ti, princesa, rainha, heroína, leoa, fortaleza, Mãe dos teus filhos e que por isso mesmo deverias ser eterna…
É para ti, e para todas as que merecem, assim, ser chamadas.

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