O trolley

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Vou à procura da mochila que ele tem guardada no roupeiro, há já uns meses, à espera do seu momento de utilidade escolar (ou seja, amanhã). Está destinada para este fim desde o dia em que uma amiga da família lhe ofereceu, e por isso foi das poucas coisas que não tive que me preocupar em comprar. Sei que a adorámos no dia em que ele a desembrulhou e ficou logo reservada para esta grande etapa. Ela estava ali, à espera dele, e de mim. Sim, porque sei que vou ter que carregá-la ao ombro várias vezes, uma vez que faremos o percurso da escola a pé, todos os dias. Sim, eu posso carregar a mochila da escola do meu filho durante aquela pequena caminhada diária… Vai ser giro. Vai ser tão giro! Até já tenho saudades de carregar uma mochila cheia de livros da escola. E esta é do Star Wars e tudo! Que outra desculpa teria eu para andar com uma mochila com o Yoda e Stormtroopers, ao ombro, no meio das outras mães. Ya… Vai ficar-me bem. Vou parecer tão jovial. Tão estudantil, com os meus converse, rabo de cavalo em riste, filharada pela mão e uma mochila do Star Wars ao ombr… Oh merda. Afinal é um trolley. É um trolley sem alças. Tem uma asa extensível em plástico. Tem umas rodinhas. Até uns pés tem, para se aguentar em pé. Até deve ter um jacto para levantar voo e uma opção para tirar café. Tudo, menos o raio de umas alças para pôr aos ombros! Não vou ficar nada gira. Vou parecer a minha avó a vir da praça com as couves e o pão enfiado numa alcofa com rodinhas, plastificada e com robots e bonecos verdes comprada nos chineses.
Já estou a imaginá-lo a ficar atascado nas poças de água, nas tardes de chuva.
Raios partam estas modernices, pá!

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