Não há uma para mim?

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– Salvador, vou fazer tostas para mim e para a mana. Também queres?
– Não, obrigada. Só quero torrada.
– Tens a certeza?
– Sim. Só quero uma torrada. Ou melhor… quero duas. Uma por cima da outra.
– Isso é quase uma tosta… Porque não queres uma, como nós?
– Porque quero torradas e não tostas, mãe!
– Pronto, ok… – e coloco duas fatias de pão na torradeira.
Depois deles terem lanchado começo finalmente a comer a minha tosta. Aparece ele, em cima de mim, com uns olhos muito semelhantes aos do gato quando anda a caçar alguma coisa.
– Hum… Isso parece saboroso! Não há uma para mim?
Prestes a dar uma dentada no pão, fico petrificada, com a boca entreaberta diante da tosta mista.
– Não… Tu disseste que só querias torradas! Torradas sobrepostas sem nada além de manteiga!
– Mas já as comi. Agora não me podes dar um bocadinho da tua tosta?
-_-
Quando eu era pequena, achava que a minha mãe era o máximo porque acabava sempre por me dar os gelados dela. Inteiros! Bastava que eu olhasse para eles duas vezes, e ela já estava abdicar da sua sobremesa, por mim. E na minha cabeça aquilo era tão inexplicável quanto fantástico, porque se ela me dava os gelados dela – que loucura! – devia ser porque gostava mesmo muito de mim.
Hoje compreendo-a como ninguém…
Claro, fiquei sem lanche.

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