11121483_10152907065962987_1378956565_nTenho 30 anos. Dizem, porque eu não acho nada. Partilho a casa e a vida com o meu namorado de sempre por quem sou apaixonada desde o liceu e que me anda a aturar desde essa altura, vejam só.Da paixão empolgante e diária (sim, porque como eu digo sempre, em casa sem tesão todos ralham e ninguém tem razão) resultaram duas criaturinhas adoráveis que abundam os meus dias com amor e ternura na mesma proporção que me deixam os cabelos em pé.

Também tenho um cão que julgo pensar ser meu editor chefe a avaliar pelo modo atento e avaliativo com que fica a olhar para o ecrã do computador enquanto escrevo. Mas é um editor chefe fofinho que me aquece os pés e incita às pausas de meia em meia hora para lhe mandar a bola.

Podia dizer que o labrador Frodo era inspirado nele, mas na verdade foi apenas uma antevisão do cão que eu sabia que havia de ter, um dia. Sim, eu sei que não sabem quem é o Frodo, mas saberão um dia, quando lerem a “coisa” na íntegra. Ah, vamos chamar “coisa” àquilo que eu nunca mais termino de escrever, está bem? Não posso chamá-lo de “livro” quando não passa de um rascunho alinhavado que nunca mais sai do pc para as estantes do Mundo, não é? Aliás, lembro-me agora que deveria antes ter chamado ao blog, “Um dia acabo a Coisa”. Afinal, não gosto de criar expectativas irreais a ninguém.

Quando era miúda e andava pela casa com a máquina de escrever de um lado para outro a dizer que quando crescesse todos iam ler as minhas histórias, a minha mãe lançava-me um olhar condescendente e dizia como quem quer poupar-me às desilusões da vida: “Não em Portugal, minha querida”. Volvidos alguns anos, decidi arregaçar as mangas e tentar contrariar esse maldito axioma sempre que me sento à secretária, repetindo para mim mesma, como um mantra: “O tanas é que não vão. O tanas, é que não vão.”