Harry Potter não é literatura… Pfuh!

harry potter nao é literatura

Ontem, nas minhas incursões pela web, encontrei este artigo que me fez ficar boquiaberta de espanto e franzir o sobrolho de reprovação e descontentamento.

Ruth Rocha é uma conhecida escritora brasileira, cuja obra mais conhecida é Marcelo, Marmelo, Martelo, que já vendeu mais de um milhão de livros. Hoje soma mais de 130 títulos publicados, com traduções em 25 idiomas. Impressionante, não? Quem me dera! Contudo, eu não conheço o trabalho de Ruth Rocha, confesso. Por isso, eu não posso tecer qualquer consideração à sua obra, nem pretendo fazê-lo. Mas posso tecer considerações ao seu parecer a uma obra que eu conheço e a uma autora que admiro profundamente.

Então, no ano em que comemora 50 anos de carreira, a caríssima Ruth – que tem todo o direito a ter opinião dela – afirma numa entrevista, que:

“Harry Potter não é literatura, é uma bobagem. É moda, vai passar. Criança deve ler tudo, o que tem vontade, o que gosta, mas eu sei que não é bom.”

E é aqui que eu esqueço o impressionante curriculum da senhora, e começo a ficar com um humor de Slytherin.
Como é possível que uma autora reconhecida de livros infantis, diminua desta forma a saga que pôs uma geração inteira a ler? Que retirou jovens adolescentes de frente do ecrã dos seus computadores para os fazer mergulhar nas páginas de uma história que encantou milhões em todo o mundo? E que provavelmente lhes despertou o gosto pela leitura, fazendo-os saltar depois para outros géneros literários!
E não, Harry Potter que é editado desde 1997, não vai passar de moda e não vai passar de moda porque as crianças e adolescentes que o devoraram e se apaixonaram pelas suas aventuras, vão incentivar os seus filhos a descobri-lo da mesma forma que eles descobriram: através da leitura. E como é que eu sei isso? Porque é o que pretendo fazer com os meus rebentos, que já conhecem o pequeno feiticeiro de me ouvirem falar nele – numa versão simplista adaptada ao pré-escolar, como é óbvio.

E Ruth continua:

O que eu acho que é literatura é uma expressão do autor, da sua alma, das suas crenças, e cria uma coisa nova. Esta literatura com bruxas é artificial, para seguir o modismo. Acho que o Harry Potter fez sucesso e está todo mundo indo atrás. […] Não acho errado os livros [de Harry Potter] fazerem sucesso. Eu gosto porque acho que as crianças leem, mas eu não gosto de ler “Harry Potter”, não acho que é literatura”

E o que é literatura, pergunto eu? Não que persiga o conceito, porque o que me interessa, tanto quando leio como quando escrevo, são as emoções despertadas. É a capacidade que o autor tem ou não de agarrar o público, de o fazer sonhar, de o transportar para dentro da história. De facto, isso só se consegue quando se escreve com alma e não com o manual do “Como tornar sua história direccionada para as elites intelectuais” aberto ao lado. Para alguns, literatura parece ser apenas e só o que se resume a textos complexos, herméticos, “difíceis” de ler, que promovem profundas reflexões sobre a condição humana. O entretenimento, a aventura, a magia, o humor, o divertimento, não podem em caso algum – nessa pobre visão de alguns – pertencer à categoria de literatura. Principalmente se forem do agrado geral. Pois que se lixe! Eu quero é algo que me dê gozo ler. Se não é considerado literatura, não me diminui nem tira o sono.

tumblr_static_0tbk3tcMas é quando Ruth diz que literatura é uma expressão do autor, da sua alma, das suas crenças, que percebo que talvez, ela nunca tenha lido Harry Potter, e por conseguinte nunca tenha entendido a importante mensagem contida nele e muito menos que a alma de J.K.Rowling está presente em cada capítulo por ela escrito. É claro que Ruth nunca poderia entender isso, porque só entrando em Hogwarts se pode compreender a sua magia. E posto isto…
um valente Avada Kedavra para todos os castradores da fantasia e preconceituosos da literatura.

Eu avisei que estava com um humor de Slytherin.

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