Estágio

estágio

Fui buscá-lo à escola. Passei junto à janela da sala e ouvi uma gritaria infantil que me fez arregalar o olhos de estupefacção e súbita solidariedade para com a professora responsável pela primeira aula de enriquecimento curricular (AEC) – e ao escrever isto não consigo represar aquele pensamento-tipo e instantâneo que surge no cérebro de muitos de nós, e que é, passo a citar: “Aulas de enriquecimento curricular?! Modernices! No meu tempo não havia nada disso! Brincávamos na rua a esfolar joelhos e isso sim, era uma escola do caraças!”
Ele chega ao pé de mim a puxar decididamente o dito trolley do Star Wars e os calções quase a caírem-lhe pelas pernas abaixo porque não sabe dar um nó decente no atilho.
– Então? Como correu o dia? – pergunto-lhe enquanto me baixo para lhe atar os calções, salvando-o da primeira vergonha pública da sua vida académica.
– Bem. – afirma com um encolher de ombros meditativo.
– E a tua primeira aula de inglês? Gostaste? Foi gira?
– Aula?! Estavam todos aos gritos e a correr de um lado para o outro. Aquilo não foi uma aula. Aquilo foi um estágio de destruição.
Sim, sim. Confesso que muitas vezes até eu me interrogo se ele terá mesmo sete anos. Se não fosse o facto de não saber atar o raio dos calções, ainda duvidaria…

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