Dia dos amigos

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Hoje é dia dos amigos. Eu tenho os melhores do mundo, mas não, não vou falar deles. Vou falar de cerveja (e não digam que não há uma imediata associação de ideias, porque há!)
Há pouco vi o novo anúncio de Verão da Sagres Mini. Sempre gostei de anúncios e publicidade em geral. Não daquela insípida, de pastilhas para a máquina, ambientadores com personalidade, ou seguros automóvel. Mas há alguma coisa na picardia criativa entre a Sagres e a Super Bock que as leva à receita infalível que é contar histórias que podiam ser as nossas histórias, com pessoas que podiam ser as nossas pessoas, com as aventuras que já foram ou são as nossas aventuras. Tem Verão, férias, mar, gente gira, gargalhadas, zero de preocupações quotidianas, zero de retiros espirituais em repartições públicas… O que há para não gostar? Muita coisa, aparentemente. A sério! E altos níveis de julgamento e indignação social, como sempre e tudo, nos último tempos. E é por isso que este texto não é sobre amizade, publicidade, Verão ou cerveja. É sobre essa emocionante aventura à mente humana que são os comentários de Facebook a um mero vídeo promocional ao forrobodó típico da silly season que não devia enfurecer ninguém:

– “A mocidade está perdida. Já é louca sem bebida, com a bebida fica ainda pior!” (pela D. Alzira, que bebe cálices de porto às escondidas, nos almoços de família, ao Domingo)

– “Só bêbados e drógados e elas são todas umas malucas!” (pelo virtuoso Sr. Silva, frequentador assíduo da casa de prazeres carnais lá da terra)

– “Trabalhar que é bom, não querem!” (Alfredo, perito em baixas fraudulentas)

– “É UMA VERGONHA NACIONAL!” (pela devota e moralista D. Custódia que apalpa o sacristão na missa).

– “Juventude que se endivida para ir a festas ou então são os paizinhos que lhes pagam tudo” (pela Maria Alice, que fugia de casa para ir aos bailarico lá do burgo e pagava os copos com a reforma da avó).

– “É uma desgraça. Festas anunciadas, ambulâncias avisadas” (pelo poeta Aníbal, que no seu tempo de estudante ficou em coma alcoólico duas vezes e nenhuma foi do sumol).

– “A Sagres é como o Governo. Quer ver um Portugal Mini. E quando se entra numa de valores MINI, as vigarices são maxi!” (Carlos, o politizador de todos os assuntos. Até da cevada maltada)

– “Há uma mensagem subliminar nesta promoção constante ao álcool, ao beber cerveja com amigos nas férias, feriados e fins-de-semana… Instala-se na nossa cultura, e depois, veem os problemas do salário mínimo e do emprego mínimo”. (pelo Crispim, que encontra teorias da conspiração em tudo e já descobriu que a mini é a causa de todos os problemas sociais).

Se eu conheço os autores destes comentários? Felizmente, não. Estava apenas a tentar rotulá-los em conformidade com a sua forma de ver o mundo e os outros e achei que era mais ou menos assim que se fazia. Por incrível que pareça, não é tão divertido como beber minis com os amigos durante as férias de Verão, coisa que, desconfio, poderá estar a fazer-lhes falta.
Se a minha família tem cotas na Sociedade Central de Cervejas e Bebidas SA? Também não, para grande pena minha! E já sei o que vão dizer. “Então mas esta não fala de cremes para o corpo, papas ou leites em pó, como compete a uma blogger, e depois vem fazer publicidade à cerveja?!” Verdade. É que ainda por cima só tenho Super Bock no frigorífico! Se a Sagres se quiser chegar à frente, está à vontade.

E para as Maria Alices, donas Alziras, Custódias e Sr. Silvas desta vida, também se arranja uma fresquinha!

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