Destino: a felicidade (parte 2)

férias Porto Antigo

Quando éramos só dois e viajávamos sozinhos para o norte, fazíamos um jogo parvo em que quem avistasse o primeiro milheiro, ganhava. O quê, não sei. Mas ganhava. E talvez o prémio até fosse a emoção de anunciar que estávamos a entrar, oficialmente, em terras nortenhas. E sim, para mim, isso era emocionante. Constatar as diferenças na arquitectura, vislumbrar vestígios de medievalidade em pontes e muros avistados da estrada nacional, a mudança de sotaque – ouvido em qualquer área de serviço ou na procura de informações sobre a melhor direcção a tomar, dadas por gente simpática que quase nos convida a entrar em sua casa para lanchar – e a paisagem. A paisagem, cada vez mais imponente, verde e luxuriante à medida que vamos subindo o território, é o que me causa mais assombro e entusiasmo.
Agora que somos quatro dentro do carro, passamos o tempo a jogar ao “adivinha qual a profissão ou o animal”, partilhamos piadas privadas sobre as personagens dos desenhos animados ou simplesmente ouvimos os passageiros do banco de trás a cantar as músicas da rádio num inglês muito próprio e indecifrável. Quando eles repararam nos painéis de sinalização turístico-cultural com património relevante, expostos à beira da auto-estrada – desenhos de monumentos, portanto – criou-se o novo jogo do “Que castelo é este? E quantos dragões e bruxas mal-cheirosas vivem lá dentro”. Bem vistas as coisas, não mudámos assim tanto de hábitos. Apenas multiplicámos a alegria e a parvoíce.

Ao fim de algum tempo por estradas e estradinhas, curvas e contra-curvas, serra acima serra abaixo, sempre pela rota do românico, parecia-me impossível encontrar um hotel ali, num daqueles lugarejos nas encostas verdejantes do Douro. Os íngremes e estreitos acessos à beira da estrada passavam despercebidos e nenhum deles me parecia levar a qualquer destino turístico. Talvez a casas, a minifúndios, e a pequenos portos privados com barquinhos a remos balançando ao ritmo da ondulação. Tudo, menos a uma instalação hoteleira. Mas afinal, não fora disso que tínhamos andado à procura? Um local típico e tranquilo, com pouco ou nenhum reboliço turístico?

Foi então que o avistei, do outro lado do rio. A fachada pintada de amarelo destacava-se no meio do verde dos montes e do azul da baía, onde se abraçam os rios Douro e Bestança – o segundo menos poluído da Europa, disseram-nos (facto prodigioso e digno de referência, nos dias de hoje).

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Assim que coloquei os pés em solo duriense, fui envolvida pela paisagem majestosa, pelos aromas campesinos, pelo chilrear dos pássaros, e pelos sorrisos acolhedores que nos receberam.Porto Antigo1
Até chegarmos, confesso que foram algumas as vezes que pensei “Meu Deus… onde é que nos viemos enfiar!!!”. Mas agora, diante do espetáculo da natureza que se estendia à minha frente, à porta da casa senhorial transformada em hotel, com a piscina suspensa sobre o rio, gritando por nós a cada minuto que passava e o sol nos queimava a pele, tinha a certeza que o instinto não nos falhara e a espontaneidade nos levara a um sitio maravilhoso.
Foi assim que chegámos a Porto Antigo, em Cinfães do Douro.

Porto Antigo

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4 Comments

    • Sim , rabiscos, faz-nos bem à alma e renova-nos as energias. Sem tempo e espera para restaurantes, nem esplanadas à pinha, nem filas para estacionar o carro ou chegar à praia. Obrigada. Beijinhos :)

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