Contentores

ecoponto

O ponto alto do dia deles foi no caminho entre a escola e a nossa casa, o qual percorremos todos os dias a pé. E porquê?

Porque fizemos uma paragem no parque?
Não.

Porque a mãe fez o bolo preferido deles para o lanche?
Não.

Porque no regresso tivemos um encontro imediato com um ecoponto voador?
Sim! Isso mesmo! Quem nunca?
E lá ficamos nós, parados no passeio, a assistir a esse espetáculo fascinante que é um caixote amarelo no ar, e logo a seguir uma chuva de plástico flutuante, com alguns rolos de papel higiénico a saltarem para a estrada como se o contentor soubesse que não era suposto recebê-los “rais parta a gente que não sabe brincar a isto de dividir o lixo”, e os meus rebentos a emitirem exclamações de assombro e a baterem palmas efusivamente, como se estivessem em pleno festival Panda, quase a pedirem uma repetição da cena ao cantoneiro que nos olhou com cara de poucos amigos ou como se fossemos um trio de gente sem nada mais importante para fazer – o que de certa forma, naquele momento, era mesmo verdade.
Ainda assim, tenho a certeza que não são todos os dias que tem um público tão entusiástico e genuinamente encantado com o seu trabalho, e que ainda o aplaude no fim da recolha, como se ele tivesse acabado de entoar brilhantemente a “Carga pronta metida nos contentores, adeus aos meus amores que me vou… p´ra outro mundo!” em pleno MEO Arena. E há que dar valor a isso.
Porque as crianças maravilham-se com tudo. Os adultos, infelizmente, é que parecem já ter esquecido como se faz.

(E agora não digam que não vão cantarolar mentalmente os “Contentores”, dos Xutos, enquanto fazem o jantar, porque eu não acredito 😛 )

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