Caminhar sozinho

Dia dos irmãos

O ano passado matriculei-o. Ele não entrou porque era “condicional” apenas por um dia.
Este ano matriculei os dois. Ela não entrou, por ser “condicional” por uma semana.
Eles estão juntos quase desde sempre. Qualquer pessoa diria desde que ele tinha um ano, mas eu digo que estão juntos desde os seus três meses de vida – altura em que ela, com pressa de se juntar ao irmão, passou a … Ler mais

Apesar de me lembrar até hoje…

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Eles exclamaram de alegria por terem encontrado um cogumelo no prato e nós franzimos o sobrolho de dúvida e depois arqueámo-lo num momento de clarividência, e então permanecemos quietos e calados, num suspense de cortar o fôlego, porque sabemos que não pusemos cogumelos na comida mas alimentamos a esperança que finalmente aprendam a gostar de beringela “fingida”. Que, claro, pode também ser chamada de “cogumelo”, se preferirem!
Os meus pais … Ler mais

Cá em casa molham o pão no molho

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Coisas que eu leio em blogs de maternidade e me intrigam profundamente: Bater à mãe é normal e não tem qualquer problema. Grave é consumirem margarinas vegetais lá em casa. Ou gordura animal. Ou qualquer tipo de manteiguita no pão. Ou até comerem pão!
De resto, segundo percebi, não faz mal as crianças arriarem sistematicamente nas mães. A progenitora de Dom Afonso Henriques que o diga.
Cá em casa ninguém … Ler mais

Encostem-se à parede

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Imaginem um supermercado ao fim do dia, cheio de gente cansada, impaciente, ansiosa por chegar a casa. Na fila da caixa há uma família, vários produtos sobre o tapete e duas crianças que aproveitam para brincar com tudo enquanto ajudam a tirar as compras do cesto: um pacote de bolachas é uma espada, as maçãs dentro do saco da frutaria são pepitas de ouro, o pão de Mafra ainda quente … Ler mais

Poderes telepáticos

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No caminho de casa…
Ela: “Oh mãe, sabes que eu hoje consegui flutuar muito na praia? Aquela água é muito boa para flutuar!”
Eu: “É porque é água salgada. No mar é mais fácil flutuar do que na piscina. E quanto mais salgada for a água, mais flutuas.”
Ouve-se então uma efusiva exclamação dele, no banco detrás: ”Já sei! Tive uma ideia!”
Eu, imediatamente: “Não!”
Ele: “Não o quê?”
Eu: … Ler mais

“As a friend, as a friend”

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Saímos da praia ao fim do dia. O meu filho carrega a sua mochila dos brinquedos às costas, numa das mãos um baldinho com lixo para despejar no caixote, e com a outra ajuda a irmã a subir para a passadeira, demasiado inclinada para o cansaço que traz com ela. No meio disto tudo, noto o ar introspectivo dele, como quem vem a matutar profundamente sobre a vida enquanto cantarola … Ler mais

Rent-a-car

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Hoje, sozinho, o meu filho lembrou-se de recolher todos os carrinhos e triciclos existentes espalhados pelo recreio do infantário.
Tão querido, não é? Tão voluntarioso e responsável, a ajudar a arrumar e a organizar o pátio…
Pois. Só que não.
Juntou-os todos, e depois cada vez que um menino queria andar, ele chegava-se à frente e cobrava-lhes dois euros pelo aluguer. Depois mostrou-se muito espantado por não terem compreendido a … Ler mais

Carroça

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Ela disse-me que queria inventar uma história, como eu costumava inventar as minhas. Disse-me que queria fazer os desenhos, e depois dizia-me o que se estava a passar, para eu escrever. No fim, faríamos o livro (não sei onde ela foi buscar estas ideias…).
Seria, então, uma história sobre uma princesa chamada Catarina, que queria ir ao baile, mas não tinha como. Então apareceu a fada madrinha, que como sempre, … Ler mais

O urso Custódio

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– Mãe, conta-nos uma história daquelas que tu inventas.
Exausta, deitei a cabeça na almofada, pensando onde ia arranjar imaginação para inventar uma história quando o que mais queria era dormir.
– Era uma vez o urso Custódio. Ele era um urso muito gordo, felpudo e fofinho, mas tinha um problema…
Eles arregalaram os olhos, na expectativa.
– Cheirava muito mal dos pés!
Sem surpresa, eles riram-se.
– Coitadinho! Então … Ler mais

“Couve não!”

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Antes do jantar entra na cozinha, com ar enojado.
– Blhec! Que cheiro é este? – pergunta com o narizito de perdigueiro no ar.
– Couve-flor gratinada. É muito bom e vais comer um bocadinho ao jantar.
O ar horrorizado dela foi quase indescritível. As sobrancelhas uniram-se numa expressão de súplica e quase se agarrou às minhas pernas a implorar misericórdia.
– Não! Por favor, mãe. Eu não quero! Couve … Ler mais