Na escuridão da noite

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Eu e o Dom Baltazar no nosso passeio nocturno, tranquilos da vida. Eu a ver as estrelas e a pensar na vida… Ele a cheirar exaustivamente a urina canina alheia em todos os postes ao longo da rua… Até que ele pára, a fitar algo na escuridão da noite, junto ao contentor do lixo. O pêlo do dorso eriça-se, detectando uma possível ameaça. Um rosnado ameaçador ecoa da sua garganta, … Ler mais

Sapateado demolidor

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Sai disparado a patinar e só ouço as unhas a bater no chão. “Tec tec tec tec”. Dá cinco voltas sobre si próprio e tenta agarrar a cauda com ganas de quem lhe anda a prometer um enxerto há muito tempo (toda a gente sabe que os cães sofrem imenso bulliyng das próprias caudas). Pára com as patas flectidas e olha para mim de lado com ar alucinado, à espera … Ler mais

“Take my breath awaaaaaay…”

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A chuva cessou. Aproveito para levar o cão à rua. Não passaram nem dois minutos, e já recomeça a pingar-me no nariz, na testa, no casaco que vai ficando pintalgado como uma tela impressionista. Ele, continua às voltas, a farejar cada pedaço do chão, a comer erva, a projectar qual o melhor espaço para uma casa de banho, virado a norte ou a sul… Tudo, menos fazer o que deve. … Ler mais

Diz que a coisinha fez anos…

festa do Baltas

Diz que a coisinha fez anos. O querido levantou-se mais cedo e foi com a chatinha em miniatura para a cozinha mexer ovos para o pequeno-almoço. Depois o querido júnior levantou-se e juntou-se a eles, na cozinha. Eu cá, nem me mexi. Limitei-me a farejar-lhes as calças do pijama até eles começarem a gritar “Oh pai! O Baltazar está a babar-me o pijama todo!”. Eu?! A babar-lhes o pijama?! Mas … Ler mais

Tripod

tripods

00.30
Estou no meu quarto, no andar de cima, a ler umas coisas e a escrevinhar outras (para variar).
Os miúdos dormem tranquilamente nos seus quartos.
A televisão está desligada e não se ouve qualquer barulho. Até que sinto um estrépito cavernoso, cadenciado. Uma trepidação indecifrável, que me provoca um arrepio. Um som grave que parece ecoar pelas paredes acima. Será que deixei algum aquecedor ligado lá em baixo e … Ler mais

Resquícios do Natal

A bezana do baltazar

“Onde estou? Quem sou eu? De onde vim? Porque me dói tanto a cabeça?
Lembro-me de ouvir música de Natal o dia todo. Da chata a mexer qualquer coisa, ao fogão. Não sei o que era, mas cheirava bem…
Lembro-me do nosso querido chegar a casa carregado de sacos e com um sorriso parvo na cara, e ela começar num misto de histerismo, ralhete e divertimento, a falar daquela forma … Ler mais

As postas de bacalhau

as-postas-de-bacalhau

Há uns anos que tentamos alimentar uma tradição de amigos de sempre, em que todos os Dezembros partimos para a Beira Interior, para o nosso fim-de-semana especial de Natal, em busca de sossego, ar puro, frio serrano congela ossos, serões à lareira, cheiro a fumeiro no cabelo, jogos parvos e infantis, “filosóficas” conversas pela madrugada fora, gargalhadas de perder o fôlego e leves dores de cabeça na manhã seguinte – … Ler mais

O mais novo membro da família

O sacana4

Lembro-me que quase não dormi nessa noite. Lembro-me que estava ansiosa e entusiasmada como uma autêntica criança. Lembro-me das conjecturas que não conseguia parar de fazer: “e se não conseguirmos escolher um? E se não houver nenhum que nos escolha? E se não gostarmos de nenhum e nenhum gostar de nós? Será melhor escolhermos um mais atrevido ou um mais pachorrento? Se calhar um pachorrento não estraga tanto! Mas um … Ler mais

“Tu agarra-me”

Tu-agarra-me

Deviam ver como ele se tornou um canídeo feroz quando sentiu os técnicos de manutenção do elevador do outro lado da porta. Como ficou tenso, o pelo eriçado junto ao pescoço, orelhas inclinadas para trás, emitindo rosnadelas ameaçadoras que depressa se transformaram em graves e tenebrosos latidos, capazes de me ferir os tímpanos e amedrontar qualquer meliante que se aproximasse de nós. A sério! Fiquei espantada. Só que isto tudo … Ler mais

Eram três queijinhos…

Sabem aqueles queijinhos curados, super chulezeiros, mas que quando pior cheiram melhor sabem, e que acompanham mesmo bem com um bom tinto nestes dias que já deixam adivinhar o Outono? Aquelas iguarias que algum familiar amoroso se lembra de nos trazer do Alentejo, e que apesar de mal conseguirmos esperar para as comer, adiamos o momento para uma altura mais tranquila e propícia à degustação dos pequenos prazeres da vida, … Ler mais