Carroça

carroça

Ela disse-me que queria inventar uma história, como eu costumava inventar as minhas. Disse-me que queria fazer os desenhos, e depois dizia-me o que se estava a passar, para eu escrever. No fim, faríamos o livro (não sei onde ela foi buscar estas ideias…).
Seria, então, uma história sobre uma princesa chamada Catarina, que queria ir ao baile, mas não tinha como. Então apareceu a fada madrinha, que como sempre, tratou logo de lhe providenciar tudo o que ela precisava.
“E foi o quê?” – pergunto-lhe, de caneta na mão, pronta a apontar tudo o que ela dissesse.
“Então, um vestido lindíssimo, cor-de-rosa. O vestido mais bonito que ela já tinha visto na vida. Depois deu um beijo à fada madrinha, disse obrigada, e foi-se embora para o palácio… numa carroça”.

Carroça!

Por muito que eu lhe diga que as princesas andam é em carruagens ou coches, ela insiste na carroça. É mais forte que ela! Uma vez, em Dezembro, fomos as duas andar num carrossel maravilhoso, estilo parisiense, com os cavalinhos que sobem e descem num embalo suave, umas luzes mágicas a toda a volta e melodias de Natal absolutamente deliciosas, como se estivéssemos dentro de uma requintada caixa de música. Então, ela pega-me na mão, aponta para o coche cor-de-rosa e dourado que balançava para trás e para a frente, e diz: “Anda mãe. Vamos andar naquela carroça!”

Seja carroça, então. Não importa. Já me cheira a “best seller”. Só falta a princesa Catarina acordar na manhã seguinte num acampamento saltimbanco e a roupa a cheirar a presunto.

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