Caçar duendes

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Apareceram-me à frente de casacos vestidos e gorros na cabeça, apesar de ainda estarem de pijama. Um trazia uma escumadeira e um batedor de leite nas mãos. O outro um chapéu de chuva, um apito e uma tenaz da salada.
– Onde é que vocês vão com isso tudo?
– Caçar duendes do Natal.
– Ah, sim? E para que servem essas coisas todas?
– Isto (e liga o batedor de leite, que numa trepidação frenética de fazedor de espuma de cappuccino, começa a zunir), é para eles pensarem que é um enxame de abelhas e fugirem de dentro dos arbustos onde estão escondidos. Depois apito para chamar a minha ajudante e ela apanha-os com o chapéu de chuva e eu com esta pinça mágica apanhadora de duendes (tenaz da salada).
– Coitados dos duendes! Eles não gostam que as pessoas os encontrem, e muito menos que os apanhem. É por isso que quase ninguém os consegue ver. – explico-lhes, como se de uma questão de senso comum se tratasse.
Ergueram o sobrolho, pensativos.
– Mas nós não lhes queremos fazer mal. Era só para os ver e falar com eles…
– E isso, serve para quê? – aponto para a escumadeira.
– É para eles se sentarem à pontinha, se estiverem cansados de andar. – responde ela, com um ar carinhoso, atenuando assim o terrível engodo do enxame de abelhas.
– Então? Já podemos ir lá para fora ´explorar´ duendes de Natal? Por favor, por favor, por favor!
Mas porque é que eu lhes conto estas aldrabices?
(na imagem, uma ilustração do plano e instrumentos de captura. Por algum motivo, um dos duendes parece-me um galheteiro)

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