Ao poderoso chamado do Equinócio

ao poderoso chamado do Equinocio

Eu queria sentar-me com calma e escrever sobre como tu vieste ao poderoso chamado do Equinócio de Outono e da Lua Cheia – a mais bonita e brilhante que vi na vida – numa madrugada serena de Setembro de 2010. Queria contar como a enfermeira que te puxaria para o mundo, se sentou ao pé de mim e partilhou comigo um chá de maçã e canela polvilhado de sorrisos e coragem para o que nos esperava depois daquilo, e sobre como uma hora depois já tu choravas com ganas, deitada sobre mim, e a felicidade não conhecia limites. Queria escrever sobre como durante as horas seguintes te olhei com amor e estranheza, sempre com uma culpa torturante a corroer-me por dentro por ter o teu irmão com apenas um ano, feito dias antes do teu nascimento, em casa, à minha espera. Queria contar como me sentia tão perdida. Como me sentia tão estupidamente assustada com o futuro. Como, apesar de te ter tão minha, sentia que não tínhamos sido ainda devidamente apresentadas uma à outra, com tantas coisas que tivera a ocupar-me a mente durante os nove meses que te guardei dentro de mim. Queria contar da mensagem que a tua avó me enviou horas depois de teres nascido, ao saber da minha insegurança e melancolia súbitas. Aquela com uma fotografia dela na maternidade, com um bebé recém-nascido ao colo, igual a ti, e com a seguinte legenda: “Tu conhece-la como ninguém. E vê só como é igualzinha a ti. Descansa, porque tudo vai correr bem”. E eu chorei como uma parva. E encontrei-nos naquele instante e naquela imagem. E tudo correu bem, de facto. E tudo valeu a pena. E tu trouxeste novas cores ao Outono e à nossa vida.
Eu queria contar tanto sobre tudo isso, mas tu não me deste tempo durante o dia. Porque passá-lo contigo é mais importante que tudo o resto.
Parabéns Maria Luísa. Obrigada por seres minha.

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