Não posso dizer. É surpresa!

e-surpresa

– Amanhã posso levar as botas novas para a escola?
– Amanhã não vais à escola.
– Não vou?!
– Não. Amanhã vamos passar o dia todos juntos, num sítio especial.
– Onde?
– Não posso dizer. É surpresa! – e pisquei-lhe o olho.
Ela abriu muito a boca e foi a correr chamar o irmão.
Ao fim de uns segundos estavam os dois à minha frente, a massacrarem-me com perguntas.
– Mas diz lá onde é!
– Não posso! Já disse que é surpresa!
– Diz lááááá!´Vamos ao jardim zoológico?
– Não.
– Ao oceanário?
– Não.
– À praia com o Baltazar?
– Não.
– Ao parque?
– NÃO! Já disse que é surpresa! Se é surpresa, vão ter que esperar para ver!
– Mas assim não vamos conseguir dormir!
– Ok. – suspirei, já cansada do interrogatório da Santa Inquisição, perguntando-me porque raio não aprendo a fechar a boca em vez de ser uma língua-de-trapos e pensando numa resposta que os fizesse parar de fazer perguntas. – Amanhã, vamos a um sítio muito giro que é…
(Onde? Pensa, pensa… Uma coisa que os faça calarem-se até amanhã)
– Amanhã vamos ao museu dos dentes e das placas!
Ele desatou-se a rir e ela fugiu. Ambos crédulos do nosso destino.
Há bocado ouvi-a lamentar-se, sozinha:
– Ai Meu Deus… Agora vão-me levar ao museu das placas! Que horror.
São tão deliciosamente ingénuos, que nem se perguntaram porque fomos comprar botas da neve, durante a tarde!

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