Tunísia, 26 de Junho de 2015

Tunisia

Tunísia, 26 de Junho de 2015. 39 mortos num hotel, em Sousse.
Há uma praia paradisíaca povoada de espreguiçadeiras e chapéus de sol de palhinhas, e espalhados no areal, os cadáveres, tapados com toalhas de praia. A visão não é tão horrível porque o sangue foi absorvido pela areia e podemos imaginar que são apenas banhistas a dormir uma sesta, protegidos do sol abrasador. Quando os corpos não têm um … Ler mais

“O que é estar apaixonado?”

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Estava eu a deambular pelos meus livros de receitas à procura de algo novo para o jantar, quando ele se sentou ao pé de mim com o seu T-Rex favorito, e o ar mais inquiridor do mundo.
– Oh mãe, o que é estar apaixonado?
Isto é daquelas perguntas que nos obriga a parar o que estamos a fazer e a focar o olhar neles, analisando a seriedade da pergunta … Ler mais

São Baltazar

Dá a pata2

Deixei o Baltazar a farejar as árvores e a relva, sentei-me no banco do jardim, tirei o pequeno bloco de notas e a caneta, e quando voltei a erguer a cabeça, vi-os. Lá estavam eles, outra vez. Observavam o cão, atentamente e de braços cruzados sobre o peito, provavelmente a magicar a próxima patifaria. Depois caminharam na minha direcção, e ficaram de pé, junto ao banco.
Desta vez não me … Ler mais

Made in China

brinquedos made in china

Todos o conhecemos. E não se deixem enganar pelos óculos de sol! Apesar do upgrade em acessórios, esta é a mesma criatura “made in China” da nossa infância. O cãozinho (mítico e terrível!) de feira que muitos de nós tivemos em criança, e que agora, mesmo que tentemos fugir dele a sete pés quando o vimos a dar mortais na banca de brinquedos psicadélicos do Mustafá, parece arranjar sempre maneira … Ler mais

“1,2,3!”

querido mudei a casa

Enquanto fazia o jantar, ela apareceu-me com uma máscara anti-olheiras, murcha e esquecida, que foi desencantar numa gaveta qualquer, e disse:
– Mãe, agora tu contas assim “1,2,3…” que é para eu ver a casa bonita, está bem?
Confesso que estive uns 5 minutos a tentar perceber porque é que ela achava que a máscara lhe dava o poder de ver a casa bonita, quando não dá para ver nada … Ler mais

“E irmos para a Arábia Saudita?”

indiana jones

Ele sentou-se à minha frente, com ar de caso.
– Tenho um colega que vai trabalhar para a Arábia Saudita. Pagam-lhe cinco vezes o ordenado que recebe cá, com direito a dois meses de férias, duas viagens a Portugal por ano, e casa num condomínio fechado. Já viste que espetáculo?
Olhei-o por cima do portátil, adivinhando o que se seguiria àquilo.
– E?
– Também podíamos ir.
– Não, não … Ler mais

Cruella De Vil

intervalo de castigo

Ela:
– Sabes mãe, os meus amigos hoje portaram-se mal. E por isso não fomos para a rua brincar.
– A sério? Que chatice! E tu ficaste chateada?
– Não. Eu adorei!
– … Adoraste?!
– Sim. Eu hoje queria mesmo ficar na sala a brincar e não me apetecia nada ir para a rua. Por isso pensei, “Muito bem, meus amiguinhos…” – e aqui ela começou a simular uma … Ler mais

“Vamos um bocadinho à praia?” – parte 2

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O calor apertava naquele início de tarde.
No banco de trás, duas crianças, quatro toalhas de praia, um chapéu de sol e dois baldinhos da Barbie e do Faísca Mcqueen. Na minha mochila, pãezinhos com chocolate (tal como pedido), bolachas, fruta, pacotinhos de leite e água. Ao volante, o Indy desafinava gritantemente o refrão de Start me up dos Rolling Stones, enquanto procurava os óculos de sol na gaveta do … Ler mais

“Vamos um bocadinho à praia?”

vamos um bocadinho a praia

Ocorreu em Maio, quando o calor começou a dar o ar da sua graça. Bastou-me perguntar-lhes “vamos um bocadinho à praia?”, para que começassem aos saltos na cozinha e se esquecessem dos cereais a amolecerem no leite. Dava-se assim início a uma espiral frenética de questões que nunca mais acabavam, e cujo mentor é quase sempre o meu morgado…

Primeiro iniciou-se o questionário básico sobre o que incluía a ida … Ler mais

Futuros auxiliares de memória

auxiliares de memoria filhos

Desde que começaram a articular frases e a ter coisas para dizer, que há sempre um bloco, um envelope velho ou um folheto de supermercado por perto, onde vou anotando as pérolas das minhas crias. Não por serem tremendamente engraçadas ou únicas, mas para que sirvam de auxiliares de memória. Deles. Caso um dia “cresçam” demasiado e se armem em adultos parvalhões.

Ele:
“Sabes do que é que eu gostava … Ler mais